quinta-feira, 20 de junho de 2013

Exposição de Fotografia “Mateus: (Re)cantos e encantos – parte VI

Roteiro Histórico em torno da Exposição - Parte VI
Título: Busto do Mons. Jerónimo do Amaral (21)
Local: Lugar do Assento da Igreja
O busto, em bronze, da autoria do escultor Manuel Negrão, homenageia o Monsenhor Jerónimo Amaral, um ilustre mateusense com ligação à Casa de Urros, onde nasceu em 04.11.1859 e onde faleceu em 08.02.1944. Formado em Direito Civil e Canónico  pela Universidade de Coimbra, abraçou depois a carreira eclesiástica, tendo-se ordenado padre em 1892. Foi um grande benemérito da cidade de Vila Real.  Em 1938 o Governo atribui-lhe a comenda da Ordem da Instrução Pública.  Foi Vigário Geral da Diocese de Vila Real e fundador e director do Colégio de Nossa Senhora do Rosário, em Vila Real. Existe, na fachada da igreja, uma lápide em mármore, em sua homenagem. Curioso é o facto de esta escultura, de carácter “civil” ser palco de um culto religioso e daí  a existência de ex-votos junto à escultura. Tal prática é também realizada em outros locais, como a escultura que celebra o desastre da Ponte das Barcas, no Porto, e a estátua do Pe. Américo, no Porto. Está sepultado na capela mortuária do família Amaral, no cemitério de Mateus.

Título: Igreja matriz – fachada (22)
Local: Lugar do Assento da Igreja
A igreja actual é uma construção do início do séc. XVIII, com acrescentos do séc. XX, a nível da fachada. Substitui a antiga igreja medieval, da qual nada se sabe e não ficaram marcas, devendo ser um construção pequena e pouco robusta. O elemento mais antigo que se conhece da igreja de Mateus é de 1711; trata-se de uma pia de água benta colocada no exterior junto à escada que dá acesso, pelo exterior, ao coro.
 Em 1714 o mestre pedreiro Pedro Domingues, de Valença do Minho executou a obra da capela-mor e sacristia da igreja de Mateus pela quantia de 260 000 réis.
Em 23.04.1715 foi feito um contrato de obrigação e arrematação da obra de carpintaria da igreja de Mateus, entre o Reverendo António de Carvalho, vigário de Mateus e o mestre Gregório de Mesquita. Seguia-se a forma da Igreja de S. Francisco de Vila Real.
Em 30.04.1732 o reverendo Luís Botelho Mourão, cónego da Sé de Braga e irmão de D. António José Botelho Mourão mandou fazer, na igreja de Mateus,  o retábulo da capela mor, da autoria do “escultor” João António da Silva, de Vila Nova de Famalicão. De acordo com a Profª Natália Ferreira Alves  A igreja de São Martinho de Mateus possui alguns dos melhores retábulos de talha barroca da zona de Vila Real, destacando-se pelo primor de execução o retábulo da capela-mor”. Existe um total de 20 caixotões, na falsa abóbada de berço abatida, decorados com motivos vegetalistas, florões e cartelas centrais com símbolos da Paixão  e instrumentos de martírio de santos. A nível de cores dominam os ocres, os verdes e vermelhos esbatidos.
Existe uma inscrição no anjo tocheiro do lado do Evangelho, do seguinte teor: Esta / obra / mandou / fazer o Reverendo / conigi Luis / Botelho Mo / urão cendo / fabriqueiro dasse / de Braga / anno / 1737.

 
Título: Igreja de Mateus – Torre sineira e salão paroquial (23)
Local: Lugar do Assento da Igreja
Embora não seja conhecida a data da construção da torre sineira, pela similitude das formas, cremos poder datá-la do final do séc. XVIII, e, com relativa reserva, atribuir a sua construção ao mestre pedreiro João Lourenço da Costa, residente em Mateus que, em 1782, construiu a torre de S. João de Arroios. Na torre foi aplicado, na década de 60 de Novecentos, o relógio e o para raios, factos que testemunhámos pessoalmente. O salão paroquial tem servindo, ao longo dos tempos, entre outras missões, para o ensino catequético.  Em tempos recuados anteriores à construção da Escola Primária de Abambres e sendo, portanto, o único salão da freguesia  aí se realizaram reuniões da Junta de Paróquia ou actos eleitorais.
  
Título: Igreja de Mateus e residência paroquial (24)
Local: Lugar do Assento da Igreja
A residência paroquial foi pasto das chamas no ano de 1795 tendo ardido numerosa documentação da paróquia de Mateus, nomeadamente os livros paroquiais. A casa actual, que muitos de nós ainda conhecemos com outra configuração, anterior às obras realizadas na década de 60, foi reconstruída logo após o citado incêndio, em 1797.

Título: Portão do cemitério (25)
Local: Lugar do Assento da Igreja
Ostenta no portão de entrada, em ferro forjado, de belo efeito artístico, a data de 1888. Esta corresponde à data em que foi acabado o cemitério pois, desde 1885, aí eram sepultadas pessoas. Em 1883, talvez por a igreja estar saturada, começa a sepultar-se, por norma, no adro da igreja. Data de 20.09.1885 o primeiro sepultamento no cemitério de um recém-nascido, de meia hora, filho de Luís António Martins, do lugar da Raia. Curiosamente dois dias depois era aí sepultada a mãe da criança Maria José Santiago, natural de Constantim e que faleceu com complicações do dito parto.
 
Título: Igreja de Santo António (26)
Local: Lugar da Carreira Longa
A sua construção foi iniciada em 1990 sendo a igreja de Santo António inaugurada em 1993. O projecto é do arquitecto Vítor Alves e a encomenda feita pelo padre franciscano Diamantino Maciel Rodrigues, actual pároco, previa um projecto ousado para a construção de uma igreja dos novos tempos.  A nova paróquia criada abrange uma vasta área residencial de urbanizações recentes pertencente a várias freguesias. Junto à igreja funciona o Centro Social e Paroquial de Santo António, inaugurado em 1998. Junto à igreja registe-se a existência de uma escultura em bronze a Santo António, da autoria do escultor Jaime Santos.

Título: Portal de velha capela – um enigma por desvendar. (27)
Local: Lugar do Assento da Igreja – Rua Dr. Fernando Miranda
Este portal, de provável construção setecentista, pelos elementos artísticos (cruz e ameias) terá pertencido a um edifício religioso. Provavelmente pertencia a uma capela da freguesia de Mateus que terá sido derrubada e aqui reconstruído, para uma função nem religiosa, nem habitacional. Tudo nos leva a crer que tenha pertencido a uma capela referida nas Memórias Paroquiais de 1758, nos seguintes termos: “no lugar de Mateus tem [ermida] de S. Bento que é de José Álvares de Barros”. Este caso é um pouco estranho já que os apelidos dos Álvares de Barros estão associados à Casa do Paço e aqui é referido, expressamente, que a capela é no lugar de Mateus. É também conhecido por “Casa da Bomba” numa provável alusão a uma bomba manual de incêndios que aqui estaria depositada. Ainda o conhecemos como barraco de arrumações tendo mais tarde sido recuperado pelos Escuteiros de Mateus.

Título: Capela de Santo Isidro em dia de festa (28)
Local – Rua da Capela - Abambres
A existência de uma capela dedicada a Santo Isidro (ou Santo Isidoro) remonta aos finais da Idade Média. Documentos de Quatrocentos já fazem referência à ermida de Santo Isidro, ou Santo Sidro, que provavelmente é de Santo Isidoro (de Sevilha) já que Santo Isidro foi canonizado no séc. XV. De resto a actual capela, construída em 1753, tem na fachada uma imagem de Santo Isidoro. Ouvi-mos de pessoas antigas, nomeadamente do Sr. Luís Barrias, encarregado da Casa de Urros e elemento da Junta de Freguesia de Mateus a referência de uma comissão encarregada de substituir uma imagem já velha, do altar da capela, que (muito provavelmente) era de Santo Isidoro. Por indicação do santeiro, ou por desculpa da comissão, na volta trouxeram a imagem de Santo Isidro que era um santo que tinha mais as ver com as pessoas da terra, a maior parte parceiros, ou tendeiros, ou ligados às actividades agrícolas. Das investigações feitas concluímos que o culto de Santo Isidro, em Portugal, é um culto que não terá mais de 100 anos. Provavelmente os membros da dita Comissão não quereriam em Abambres,  que é uma terra de lavradores, um santo tão intelectual, um Doutor da Igreja, como era Santo Isidoro. Conhecemos, em Vila Nova de Gaia, pelo menos um caso de uma capela onde existe esta duplicidade com os mesmos santos.
Quanto à realização da festa em honra de Santo Isidro, segundo elementos recolhidos, cremos que é feita, precisamente, há sete décadas.
Das décadas de 60 e 70 recordamos a feira de gado em que participámos, com direito a prémio para os melhores exemplares e a aposição de uma lembrança (uma cana com bandeirinha, colocado nos chifres dos bovinos). Depois do anúncio do prémio, publicitado pela voz do altifalante, do “pick up” ou do “piqué” como o povo dizia, os animais eram levados a agradecer ao santo, indo em fila até à capela que era circundada por estes, conduzidos pelos seus donos. Enquanto isto estralejavam os foguetes no ar, lançados, quantas vezes pelo Sr. António Rolindo.

Exposição de Fotografia “Mateus: (Re)cantos e encantos – parte V

Roteiro Histórico em torno da Exposição - parte V
Título: Casa setecentista das Baptistas; Abambres (16)
Local: Rua do Lavrador - Abambres
Esta casa de raiz setecentista (com recuperação feita há cerca de 30 anos) ostenta, no lintel, a data da construção inicial e possui uma escadaria com alguns elementos artísticos. Ao lado da casa, onde funcionou provisoriamente a venda do “Zé da Viúva”, existe um portal com alguns elementos artísticos que mereciam ser preservados; provavelmente este portal pertencia à casa das Baptistas. Curioso é o facto de esta casa possuir uma passagem que serve o caminho que dá acesso público à velha Fonte de Santo Isidro. A designação da casa dever-se-á ao facto de aí ter vivido, no séc. XIX, o capitão António José Baptista que foi casado com D. Sebastiana Joaquina (falecida em Abambres em 31.08.1837, com 45 anos). Ignoramos se a actual família descende deste velho militar oitocentista. Refira-se que António José Baptista, falecido em 1815, era capitão do Regimento de Milícias de Vila Real.

Título: Brasão da Casa das Quartas (19)
Local: Lugar das Quartas
Este brasão pertencia à casa dos morgados do Espírito Santo, em Favaios. Representa os apelidos Barros, Mesquita, Pimentel e Pereira. Esta casa foi demolida para passagem de uma estrada e a pedra de armas foi trazida para a Casa de Sabrosa e nos anos 40 de Novecentos veio para Abambres e a sua colocação foi feita por um artista da nossa freguesia – o canteiro António Viana, da Abambres.


Título: Brasão da Casa de Urros (20)
Local: Lugar de Urros - Raia
Trata-se de um brasão de dignidade eclesiástica e, por isso, em vez do timbre tem um chapéu de abade. Representa os apelidos: Freires de Andrade, na primeira pala e os Pereiras, na segunda. Pertenceu ao Reverendo José Alves Pereira Leite, abade de Mateus

Exposição de Fotografia “Mateus: (Re)cantos e encantos – parte IV

Roteiro Histórico em torno da Exposição - Parte IV
Título: Casa de Urros: campanário da capela (11)
Local: Lugar de Urros - Raia
A instituição da capela de Nossa Senhora do Carmo e S. José da Casa de Urros foi feita em 1797.03.20 por uma escritura que fez o Pe. José Alves Pereira Leite, pároco de Mateus e cavaleiro professo na ordem de Cristo. Nomeou seu primeiro administrador seu sobrinho José Paulo de Figueiredo, tenente-coronel de milícias de Vila Real, que foi seu universal herdeiro. Foi-lhe concedida provisão régia, por resolução de D. João VI de 2 de Janeiro de 1812.

Título: Casa do Paço – Abambres (12)
Local: Lugar do Paço
Foram senhores da Casa do Paço os morgados de Arroios, de apelido Coelhos de Freitas. O brasão da Casa do Paço é igual ao da capela de Santo António, de Arroios e ao brasão que estava na Casa de Vale de Nogueiras que hoje se encontra nos jardins da Casa das Quartas. Houve alianças matrimoniais da Casa do Paço com os morgados de Arroios, com a Casa das Quartas e com a Casa de Urros. Os morgados de Arroios estão também ligados aos morgados de Mateus. O brasão representa os apelidos: Coelhos, Cunhas, Farias e Correias. Há já muito que a Casa do Paço não se encontra nas mãos da família original. No início do séc. XX era seu proprietário o comendador José Maria Pereira Júnior, grande industrial, com negócios no Rio de Janeiro. Actualmente a Casa do Paço está ligada à indústria hoteleira e à realização de eventos.

Título: Casa do Arcediago (13)
Local: Rua das Flores
Situada na Rua das Flores esta casa setecentista faz parte do património da Casa de Mateus. Terá sido construída pelo Pe. João Botelho Mourão, Arcediago de Labruge e irmão de um dos morgados de Mateus. Há já muito que está afecta à função residencial nela tendo nascido várias gerações de fregueses de Mateus, da família Taveira. No portal de entrada ostenta um brasão eclesiástico.

Título: Casa de Casal de Matos (14)
Local: Lugar de Casal de Matos
Trata-se de uma construção setecentista que ostenta a data da construção. Actualmente muito degradada é propriedade da Casa de Mateus. À data da fundação pertencia à família de José Bento Matos Coelho, aqui nascido em 1762 e falecido em 1827. Foram seus irmãos D. Maria José de Matos Coelho, que faleceu solteira em 1818 e António de Matos Coelho, presbítero secular, formado em Cânones na Universidade de Coimbra e que faleceu em Casal de Matos em 1837. Curioso é o facto de José Bento albergar nos seus palheiros, em Casal de Matos, diversos peregrinos alguns dos quais aqui acabaram por perecer.

Título: Casa de S. Martinho com neve (15)
Local: S. Martinho (Rua Dr. Fernando Miranda)
Casa de construção setecentista actualmente afecta à indústria hoteleira. No portão principal, com pináculos laterais, ostenta uma imagem de S. Martinho em granito. No início do séc. XIX esta casa pertencia a António de Carvalho Fernandes, cuja filha D. Ana Joaquina Baptista Carvalho Fernandes casou em 1802 com António José Alves de Barros, da Casa do Paço.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Exposição de Fotografia "Mateus: (Re)cantos e Encantos" - catálogo - parte III


Roteiro Histórico em torno da Exposição 


Título: Capela de Nossa Senhora dos Prazeres (7)
Local: Casa de Mateus
Esta é a segunda capela de Nossa Senhora dos Prazeres, a qual, embora coeva do palácio foi o último elemento a ser inaugurado. Existiu uma primitiva capela que remonta à data da instituição do vínculo de Nossa Senhora dos Prazeres, ao qual o Morgadio de Mateus estava vinculado. Este foi instituído pelo Licenciado António Álvares Coelho em 5 de Dezembro de 1641.


Título: Casa de Mateus – brasão da entrada (8)
Local: Casa de Mateus
Este portal foi construído em 1963, já que até aí a entrada se fazia pelo portão lateral. Nesse conjunto de obras foram demolidas algumas casas da Rua da Moura só ficando uma delas. O brasão que encima o portal foi trazido de uma das propriedades da Casa de Mateus na Cumieira.

Título: Casa das Quartas (9)
Local: Lugar das Quartas – Abambres
É uma construção setecentista de planta em U, de dois pisos. O resto do conjunto arquitectónico desenvolve-se em vários patamares. No prolongamento da fachada principal, com nove janelas no andar superior e nove óculos no piso inferior, encontra-se adossada no extremo a capela de invocação de Nª Sª da Capela e, ao lado, um painel que ostenta um enorme brasão. Esta casa tem o mesmo tronco genealógico da Casa de Mateus. A Casa das Quartas, através de alianças matrimoniais, está ligada a Casa de Vale de Nogueiras (cujo brasão se encontra num tanque, junto ao jardim interior), à casa  dos Morgados de Nossa Senhora do Loreto (de Sabrosa) e à Casa do Espírito Santo, de Favaios, de onde veio o actual brasão. Junto à casa existe o antigo edifício da azenha, ou lagar de azeite, que muitas gerações de avamorenses ainda conheceram. De igual modo, estas gerações recordam o incêndio, que testemunhámos também, aqui ocorrido no dia 1 de Janeiro de 1973, que destruiu o edifício principal do conjunto e o seu enorme recheio e arquivo da família.
No início de Setecentos eram senhores da Casa das Quartas, Luís Rodrigues de Carvalho (que foi almotacé da Câmara de Vila Real) e sua mulher D. Maria Pereira Teixeira de Carvalho. Esta casa teve alianças matrimoniais com a Casa do Paço, de Abambres. Pelo casamento, em 1914, do Dr. João de Barros Coelho Mourão com D. Maria Manuela de Medeiros, juntaram-se a Casas das Quartas e a Casa de Vale de Nogueiras das quais já era senhor,  à Casa de Sabrosa (Vínculo de Nossa Senhora do Loreto)

Título: Casa de Urros (10)
Local: Lugar de Urros - Raia
A parte mais antiga da Casa de Urros, anexa à capela, cujos antepassados já aqui viviam em casas mais modestas, foi mandada construir pelo Pe. José Alves Pereira Leite, nos finais do séc. XVIII. A parte restante, com acrescentos de duvidosa harmonia, são obra da 2ª metade do séc. XIX e do séc. XX. Nas traseiras da casa existe uma fonte artística com ameias. São de realçar os belos jardins de buxos e camélias. As gerações mais velhas ainda conheceram a penúltima administradora desta Casa, D. Maria de Lurdes Mendonça de Figueiredo Amaral, nascida em 5 de Agosto de 189. Casou em 17 de Outubro de 1928 com Fernando de Sousa Botelho de Almeida Leitão, músico. Foi uma grande benemérita da freguesia de Mateus, tendo cedido terreno para o campo do Abambres Sport Clube e outras instituições. Existe na freguesia uma creche com o seu nome. A Casa de Urros, como uma das mais importantes casas senhoriais da nossa freguesia, bem merecia ser objecto de recuperação.
Os senhores da Casa de Urros tiveram ligações matrimoniais com os morgados de Vila Cova (Botelhos do Amaral) cuja casa existiu onde funcionou o banco do velho Hospital da Misericórdia e hoje é Lar-Hotel da Misericórdia de Vila Real. Tem anexa a capela de Santa Ana que pertenceu à Colegiada de Santa Ana onde existe o brasão de família com os apelidos: Guedes, Amarais, Correias e Botelhos.

Exposição de fotografia: Mateus: (Re) cantos e encantos... Catálogo - parte II


Roteiro Histórico em torno da Exposição:


Título: Solar com vista coada pelo arvoredo (1)
Local: Lugar da Rechã
Vista tirada da entrada poente da Mata do Conde. Apresenta a torre da capela de Nossa Senhora dos Prazeres, da Casa de Mateus, com o Marão em pano de fundo. Imagem tirada em pleno Inverno salienta-se, em primeiro plano, a ramaria das árvores de folha caduca.

Título: A Casa de Mateus e o seu lago  (2)
Local: Casa de Mateus (fachada)
A construção do Solar de Mateus foi iniciada na 1ª metade do séc. XVIII (década de 30), por D. António José Botelho Mourão (3º morgado de Mateus) e foi terminada por seu filho, D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, que foi governador  e capitão general na Capitania de S. Paulo, no Brasil. Era um grande devoto de Nossa Senhora dos Prazeres tendo espalhado o seu culto na capitania de S. Paulo. D. Luís António viveu os últimos anos da sua vida em Mateus onde faleceu, em 3 de Outubro de 1798, e foi sepultado na capela de Nossa Senhora dos Prazeres.
Embora o risco de boa parte da obra do Solar de Mateus seja atribuído a Nicolau Nasoni, que trabalhou na igreja da Cumieira, cada vez mais ganha força  a ideia de que tenha sido outro o arquitecto que trabalhou em Mateus. O Prof. Joaquim Jaime B. Ferreira Alves defende que em Mateus, como em muitas outras obras atribuídas a Nasoni (como o palácio de S. João Novo, no Porto e outros) terá trabalhado  António Pereira, um arquitecto nascido em Lisboa cuja obra está agora a ser cada vez mais estudada e reconhecida. A capela de Nossa Senhora dos Prazeres foi o último elemento a ser construído. Nas imagens antigas da fachada do solar, da 1ª metade do séc. XX, não aparece ainda o lago onde se reflecte a dita fachada. Isto porque o lago, bem como o parque da entrada e o actual portal de acesso foram construídos entre 1960 e 1963. O parque é da autoria da notável arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles. Segundo MOURA (2002, p. 88) “O visitante, à chegada, é colhido pelo cenário inesperado e, de algum modo, sempre diferente nos seus efeitos efémeros, em que as notas de monumentalidade, de tranquila serenidade, de uma leve instabilidade em equilíbrio, se combinam no jogo cruzado das várias simetrias. Há um ponto em que para quem ao chegar se detiver a meio do espelho de água do lado oposto ao da fachada, o eixo longitudinal que atravessa a casa com as suas aberturas do piso térreo se prolonga ainda mais do que Nasoni tinha previsto”.

Título: Casa de Mateus -  buchos dos jardins (3)
Local: Casa de Mateus (jardins)
O jardim do lado nascente foi encomendado ao arquitecto paisagista Gomes de Amorim pela Condessa de Mangualde na década de 30 do séc. XX. O grande túnel de cedros que se encontra ao lado, bem como os dois jardins laterais e os tanques em cantaria projectados pelo arquitecto Raul Lino foram mandados construídos por D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque, na década de 30 e 40 de Novecentos. (MOURA, 2002, p. 88). O jardim de baixo foi desenhado por Paulo Bensliman. Refira-se que os primeiros jardins foram, no séc. XVIII, projectados por um irmão dos morgados de Mateus que era clérigo.

Título: Casa de Mateus - tanque artístico (4)
Local: Casa de Mateus
A água recolhida em minas, a partir da enorme mata da Casa de Mateus, que vai do lugar da Rechã ao Alto da Raia, bordejando a Ribeira de Tourinhas, está canalizada para o lago e este e outros tanques e destina-se à rega dos jardins e das propriedades anexas. Este tanque, com uma fonte artística na parte central, fica perto da eira e do Barrão que hoje perderam o seu lado funcional ligado à parte agrícola.
 


Título: Casa de Mateus: antiga adega e cruzeiro (5)
Local: Casa de Mateus
As casas que serviram de adega até á década de 80 de Novecentos serão anteriores à construção do solar. Ostentam um brasão que foi estudado por Armando de Matos nos anos 30. O cruzeiro é de feição setecentista. Situava-se junto a um antigo caminho que passava em frente à fachada principal e seguia para a Rua do Ribeiro, rumo a Arroios.

 


Título: Casa de Mateus: pormenor da fachada (6)
Local: Casa de Mateus
Este é um dos (poucos) elementos atribuídos a Nicolau Nasoni dada a sua similitude com construções barrocas nasonianas da cidade do Porto e região. Ostenta, a meio, um dos brasões dos morgados de Mateus e está ladeado de esculturas e pináculos.

Exposição de Fotografia - Mateus: (Re)cantos e Encantos... - Catálogo (I parte)









Mensagem do Presidente da Junta de Freguesia de Mateus

A exposição “Mateus – (re) cantos e encantos” que integrámos entre os vários eventos que fazem parte da 1ª Quinzena Cultural de Mateus, resultou de um convite feito ao mestre em História Contemporânea, Dr. António Adérito Alves Conde.
Trata-se de um “filho da terra” que tem investigado o passado da nossa freguesia e possui um largo repositório fotográfico e documental sobre a freguesia de Mateus. É fundador e administrador de vários espaços nas redes sociais que visam dar a conhecer, à escala global, o passado e o presente de Mateus e pretende servir de espaço de diálogo entre os mateusenses no exterior.
  Acredito que este evento cultural ora realizado pela J. F. de Mateus poderá ter o mérito de projectar a nossa freguesia à escala local e regional e, estou certo, será uma iniciativa que interessará aprofundar nos seus objectivos, nomeadamente culturais, e susceptível de ganhar uma periodicidade anual.             
            Contamos, para isso, com o apoio da população da nossa freguesia e da nossa região a quem apelamos à fruição e participação no vasto conjunto de eventos que fazem parte desta iniciativa.
                                                                Artur Ribeiro de Carvalho                                                   

                                                           
 Biografia do autor
. Nascido na freguesia de Adoufe em 1957, foi criado desde os cinco anos de idade em Mateus (Lugar de Abambres) tendo frequentado as escolas da Rechã e Abambres onde foi aluno do professor Raul Botelho, personalidade que em muito marcou a sua orientação e formação académica.
. Frequentou, como trabalhador-estudante, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto onde concluiu a licenciatura em História e o mestrado em História Contemporânea com a dissertação “João Evangelista Vila Real – uma biografia para além do enredo camiliano”; trata-se de uma biografia histórica sobre uma figura natural da Samardã que é a personagem principal de uma novela de Camilo Castelo Branco.
. É técnico superior do município de Vila Nova de Gaia onde desenvolve trabalho na Biblioteca Pública, no âmbito da história local.
. Tem participado em congressos, seminários, jornadas e eventos culturais, com comunicações na área da história e da biografia histórica, alguns deles publicados.
. É investigador na área da história local, da história contemporânea e da biografia histórica tendo em mão vários projectos de investigação, entre outros, sobre a freguesia de Mateus e algumas temáticas da história local vila-realense. 
. É associado e dirigente associativo em algumas instituições da área cultural.
.Tem mantido uma ligação estreita e permanente com a freguesia de Mateus onde cresceu conhecendo, por experiência própria, a dura realidade da actividade agrícola dos praceiros e tendeiros.
. Fundou e administra, nas redes sociais, espaços que visam dar a conhecer a história da freguesia de Mateus e promover a aproximação dos mateusenses na diáspora.

Mensagem do autor

Com a exposição que ora se apresenta, que titulei “Mateus – (re() cantos e encantos”, pretendo partilhar, com os meus conterrâneos e visitantes, um conjunto de imagens recolhidas, na maioria, nas manhãs domingueiras,  pelos arruamentos e antigos caminhos vicinais da nossa freguesia.  A motivação para as minhas deambulações matinais teve como objectivos imediatos a inventariação e reavaliação do(s) património(s) da nossa freguesia, a memória dos lugares da infância e juventude (onde corria, por curiosidade, à procura dos ninhos, ou na recolecção de “frades” ou medronhos por Outeiro de Lobos ou Lamas de Monte), o diálogo com pessoas que conservam memórias da história e memória da freguesia, o melhor conhecimento do espaço geográfico, tudo isto aliado ao compulsivo desejo de caminhar.
A recolha de imagens, sempre presente nos meus itinerários, tem tido, até ao momento, um sentido mais instrumental e funcional, de apoio às minhas pesquisas históricas, do que propriamente artístico. Isto por uma questão de racionalização do tempo, esse bem escasso que nem sempre deixa transbordar a sensibilidade e a poesia que existe dentro de nós.
 Assim, de entre o vasto repositório de imagens que possuímos, dos vários lugares da nossa freguesia, foi possível destacar um conjunto de cerca de 100 imagens, que abrangem temáticas como as antigas casas senhoriais, os brasões, o património religioso, os edifícios públicos, as novas urbanizações, o património vernacular (espigueiros, fontes, casa popular, etc), a arqueologia industrial, as curiosidades, as vinhas (não fosse Mateus uma terra de bons vinhos), a neve em Mateus, as vistas dos diferentes lugares e algumas curiosidades.
No “curtíssimo” espaço de um centenar de imagens procurámos traçar um roteiro cultural “possível”, do património de Mateus, que poderíamos recomendar ao visitante, com secreto orgulho pela nossa riqueza e variedade patrimonial, não deixando de lhe recomendar os bons espaços de alojamento ou de referência gastronómica.
Isto porque a nossa terra sempre soube receber bem os visitantes!

Apraz-nos registar que a nossa freguesia, e particularmente o nome MATEUS e a imagem do nosso ex-libris (o solar de Mateus) são conhecidos em todo o mundo. Nesse particular, Mateus é, para nós, uma espécie de “Património da Humanidade”, o que muito nos honra, como nos honra o facto de esse espaço magnífico atrair a Mateus a visita de milhares de turistas e de participantes nas dezenas de eventos de renome que, nas últimas décadas, aqui têm tido lugar.
Contudo a freguesia de Mateus tem outros patrimónios, nomeadamente o de natureza imaterial, como sejam as nossas festas e procissões, o nosso “bacalhau de Abambres”, o nosso Carnaval dos vários lugares da freguesia, o nosso “Enterro do Entrudo”, o nosso cancioneiro, a gastronomia nascida nas antigas tascas, as nossas lendas, e em sem-número de valores de natureza etnográfica.
São esses patrimónios as verdadeiras marcas da nossa identidade cultural, que urge preservar, estudar, conhecer e dar a conhecer (com contido orgulho) a quem chega a Mateus em visita à Casa de Mateus, aos restaurantes de renome da freguesia, ou às unidades hoteleiras.
Há uma outra imagem da freguesia que, a partir de agora, temos de mostrar ao visitante. Nesse sentido esta exposição pretende ser a pedra de toque para essa “ponte” que urge criar.
Uma palavra final para enaltecer o alto significado desta I Quinzena Cultural de Mateus, promovida pela nossa autarquia, que em boa verdade, pela diversificação de eventos, é o primeiro grande evento cultural de que há memória em Mateus. Oxalá ele tenha a maior adesão de todos os mateusenses, assuma um carácter de continuidade e que os habitantes de Mateus o sintam como um evento feito por eles e para eles, independentemente da natureza da entidade que o organiza.  
Com saudações pessoais do vizinho,                                  
                                        António Adérito Alves Conde


                                                       
Painéis de Imagens



                                                                
 







Data: 20.06.2013
Concepção e autoria: António Conde